sábado, 31 de maio de 2014

PALESTRA PARA OS CRISMANDOS DO CENTRO

     Na Escola dos Capuchinhos hoje a tarde, o casal Teodorio & Milza estiveram com os crismandos, onde falaram sobre "Promoção e defesa da vida".
 Catequista Juliano com a Oração inicial

 Casal Teodorio & Milza
 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA - COMUNIDADE DE APARECIDA

     Estivemos na Comunidade de Aparecida hoje a noite, onde aconteceu a coroação de Nossa Senhora.
Entrada da imagem peregrina

APRESENTAÇÃO DO GRUPO DE DANÇA DO SESC, NO ABRIGO SÃO JOSÉ

     Hoje a tarde estivemos com o grupo de dança do SESC "VIDA NOVA", em uma apresentação aos moradores do Abrigo São José.
 Agente pastoral Vitoria apresentando o grupo de dança





Professoras Enedina Carla e Mile Mile, e alunas


MISSA NO ABRIGO SÃO JOSÉ - MAIO 2014

     Participamos hoje pela manhã, da Celebração Eucarística no Abrigo São José. A celebração foi presidida por Frei Francisco Pereira e teve equipe litúrgica, jovens da Comunidade São Benedito. Após a celebração, visitamos os moradores do Abrigo.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

ABORTO - NÃO BASTA SER CONTRA

    

     Entre nossos políticos e burocratas, assistentes sociais e ativistas, militantes e intelectuais, existe uma tendência a tratar o aborto como prática normal, e sua liberalização como um alvo desejável. O aborto que se pretende legalizar no Brasil é um tipo de homicídio. Os que desejam sua legalização querem que o governo promova aquilo que é mau e dificulte aquilo que é bom. Nessa inversão de vida e morte, a mulher que teme a Deus nada contra a corrente da sociedade contemporânea. Faz ela muito bem.
     Porém, sua estratégia muitas vezes é incompleta. É que, em diversas ocasiões nosso combate ao mal deixa a desejar, não vai além do básico. Para não dizer falso testemunho contra o próximo, basta fechar a boca. Para defender a honra do seu próximo, em palavra e pensamento, é preciso um esforço consideravelmente maior. Na luta contra o pecado, a tendência é pensar que basta não fazer o mal. É muito mais difícil ir além, promovendo ativamente o bem que esse pecado fere.
     Além disso, é fácil e cômodo cruzar os braços e condenar, na vida dos outros, um tipo de pecado que você jamais planejou cometer. Muita gente nas igrejas critica o traficante de drogas. Um número significativamente menor denuncia o uso trivial do nome de Deus no dia-a-dia. No combate ao aborto, não basta se abster de matar. Se parar por aí, você corre o risco de ignorar um outro lado desse pecado: a promoção da vida.
     Já faz algum tempo que a noção de dignidade da vida humana, criada à imagem e semelhança de Deus, tem sido ignorada pela nossa sociedade. Como reverter essa situação? “Um ponto de partida para promover a vida”, diz minha esposa, que completou um treinamento para lidar com mulheres que estão pensando em abortar, “é mudar o conceito das pessoas a respeito do que é um bebê”. Hoje, uma gravidez é vista mais como um novo orçamento, e um bebê como uma nova variável nos cálculos da família.
     Um antídoto a isso é absorver, novamente, a visão bíblica da vida humana e de sua multiplicação. Crescer e multiplicar é uma forma de resposta ao mandato cultural que Deus nos deu, registrado em Gênesis. É uma das missões que se deve buscar, com a ajuda divina, no casamento, conforme a forma litúrgica da celebração do matrimônio nos ensina. É uma bênção de Deus, conforme lemos nos Salmos e na história de várias mulheres piedosas como Sara e Ana.
     Escravo no Egito, o povo de Deus via à sua volta uma cultura pagã que encarava os filhos mais ou menos como a nossa cultura os enxerga hoje. Sabe-se que a contracepção era praticada entre os egípcios da antiguidade. Não temos certeza quanto à frequência dessa prática, mas sabemos que, lá e no deserto, Israel teve contato com culturas que viam o crescimento populacional como algo negativo – uma percepção cristalizada nos mitos da antiga mesopotâmia.
     Hoje, com base na visão da vida humana como uma variável desafiadora no orçamento, como estraga-prazeres, como atraso de carreira, muita gente pensa no aborto como uma possível saída. Outros, querendo mostrar algum vestígio de consciência, optam pelo argumento do “coitado”. Coitado do bebê que vai nascer neste mundo, cheio de desastres humanos e naturais, cheio de violência e miséria, cheio de desespero. Seria melhor nem ter nascido!
     Mas isso, além de loucura fria e calculista, é um argumento sem base. A Bíblia nos conta que o povo de Israel, mesmo sofrendo o jugo da escravidão, cresceu e se multiplicou a ponto de fazer tremer de medo os seus escravizadores egípcios. A Bíblia exalta o heroísmo das parteiras hebreias que resistiram à política de genocídio de bebês imposta por Faraó. E isso para ficar só no Antigo Testamento.
     Pergunto: e você? Como você enxerga a gravidez, o bebê em formação? Como é a sua linguagem? Negativa? Você usa termos como “gravidez indesejada” ou coisa do tipo para rotular certas situações? Ou será que você a enxerga sob a ótica da Palavra de Deus? A sua atitude pessoal e até mesmo o seu modo de falar têm um grande peso. E das duas, uma: ou elas reproduzem o que nossa sociedade anticristã propõe, ou nadam contra a maré, promovendo a vida segundo a visão cristã.
     Em mais de uma ocasião, presenciei a mesma triste conversa. Fala-se duma família mais humilde. A mãe “está grávida de novo!” E então, alguém diz: “Será que ela não sabe? É tanta irresponsabilidade!” E, com isso, fica a implicação de que o ciclo de pobreza dessa família será perpetuado pela nova vida que está para chegar. Certa vez, vi uma irmã em Cristo criticar assim a mulher de família pobre que está “grávida de novo”. Isso me deixou com tanta vergonha!
     Esse tipo de opinião reflete exatamente o que a Bíblia rejeita como paradigma para enxergar a vida humana preciosa. Primeiro, trata-se de uma visão extremamente materialista. A criança é reduzida a um problema, ou a um exemplo de “ignorância” dos pais. Segundo, ela é reduzida a uma variável, que os pais fracassaram em “controlar”. Terceiro, ocorre uma inversão de valores. Obedecer a voz de Deus, crescendo e multiplicando, é visto como “irresponsabilidade”. Nada disso é opinião digna duma pessoa que se diz cristã. Pelo contrário, isso beira a desejar que aquela criança não existisse. Isso beira a um “aborto no coração”.
     Pode ser que você não pense nem fale assim a respeito da sua própria gravidez ou da gravidez de outras mulheres. Ótimo. Mas, em todo o caso, fica aqui o lembrete: a cada opinião que é dada, um sistema de pensamento é reproduzido. Esse sistema afirma a verdade de Deus ou a nega. Talvez haja algo a mais que você possa fazer ao ouvir uma conversa desse teor, ou talvez você possa promover a vida humana de outras formas mais ativas.
   O caso de famílias carentes é um caso que demanda atenção especial. Uma gravidez em condições de penúria pode ser extremamente preocupante, não somente do ponto de vista financeiro como também médico e psicológico. Só que isso não significa necessariamente que toda família nessa situação deva se portar de forma negativa. “Uma das coisas que às vezes é difícil perceber”, diz minha esposa, “é que, em casos onde se sofre tanta tristeza na vida, um filho é um presente precioso para trazer conforto e consolo”.
     Refletir uma percepção bíblica do valor da vida é um grande passo na direção certa. Outro passo é preocupar-se, de coração, com a causa da proteção da vida. De preferência, procure saber a respeito de organizações cristãs que têm essa missão: orfanatos, creches ou hospitais. Procure doar seu tempo, atenção e dinheiro em apoio. Caso você seja profissional da saúde, por que não entrar em contato com outras pessoas que compartilham a mesma fé e os mesmos princípios, buscando um projeto comum de promoção da vida?
     A ação cristã em isolamento muitas vezes é pouco efetiva e tem pequeno alcance. Daí a necessidade de se associar. Na luta contra o aborto, é verdade que um grupo grande de cristãos já percebeu essa realidade e tem buscado na militância e na cobrança política evitar o assassinato de milhares e criancinhas. Porém, um outro lado da nossa responsabilidade é justamente a missão positiva de promover a vida, indo além do comportamento e linguagem individuais.
     Uma associação efetiva de cristãos na luta pela promoção da vida deve se pautar pela lógica própria desse tipo de organização. Ela terá uma missão bem explícita, esclarecendo quais são as suas ferramentas: treinamento de conselheiros, levantamento de fundos, assistência local a famílias necessitadas, parceria com planos e instituições de saúde, e assim por diante. Essa associação não será eficaz se for vista como uma empresa ou, por outro lado, como um braço da igreja institucional. Ela será inócua se não tiver uma filosofia bem explicada a respeito da vida humana e dos métodos que devem ser usados para sua promoção. Ela será deformada em sua missão caso se dedique somente a pressionar o poder público.
     Existem, pelo mundo, várias organizações e movimentos promovendo a causa abortista. Vemos alguns exemplos em nosso próprio país. A efetividade desses inimigos da vida e amigos da agressão é espantosa. Nós contamos com armas especiais, que não se resumem ao plano humano. Só que, nesse plano, ainda estamos engatinhando. A atitude e linguagem que você tem é um bom começo. A associação formal e informal dará um impulso ainda maior à nossa incipiente resposta. O exército abortista é bem articulado e profissionalizado. Chegou a hora de pagar na mesma moeda, dentro dos parâmetros que Deus nos permite e nos ordena seguir. Participe ativamente da causa da promoção da vida. Ela é boa, e Deus é bom. Ele se alegrará com sua fidelidade.

Lucas G. Freire edita o blog Política Reformada. | 29 Maio 2014

terça-feira, 27 de maio de 2014

ABORTO x SEMÂNTICA



     Trocando-se palavras, por exemplo, trocam-se conceitos e formas de pensamento, como já avisava George Orwell em sua distópica obra “1984”. Alguns conceitos importantes são suprimidos e outros, de menor importância, são elevados à categoria de princípios de grande destaque. Isso acontece no dia a dia quando somos submetidos à propaganda ou a campanhas diversas, porém quando tais “termos manipulados” lidam diretamente com nossa vida e com os parâmetros pelos quais julgamos tudo o que nos cerca, estamos mexendo perigosamente com as fundações de nossa civilização.
     O simples expediente de chamar uma coisa pelo nome de outra pode gerar alterações profundas na percepção e na prática da medicina e na sociedade como um todo. O exemplo aqui citado é o da troca da palavra “infanticídio” (ou assassinato de bebês, se preferir) pelo termo “aborto pós-nascimento”.
     Uma breve análise dessa troca, utilizando as ferramentas, descritas de forma sintética por Pascal Bernardin em seu livro Maquiavel Pedagogo, pode chocar pela obviedade de tal operação e pelos possíveis resultados, mesmo que não intencionados pelos autores de tal proposta.
     A troca de nomes (infanticídio por aborto) foi proposta por membros da comunidade acadêmica, que discutiam em círculo discreto há cerca de quarenta anos. Em suas discussões, recortes abstratos de conceitos importantes, amplos e, muitas vezes escorregadios, como o de “pessoa”, dão origem a uma série de conclusões que aos poucos ganham força e projeção em meios especializados.
     Os fatos de que tais discussões são geradas e mantidas por autoridades acadêmicas, e que tais autoridades circulam em meio à comunidade de estudantes e pesquisadores com grande destaque, já bastam para que haja um forte contexto de convencimento acerca de sua razoabilidade. Adicione isto a um periódico bem qualificado internacionalmente - onde autores se esforçam para publicar e ganhar notoriedade científica - e o palco está armado.
     Juntando isso ao eufemismo proposto, completa-se um importante conjunto de atividades com alto potencial de mudança social. O eufemismo de um ato extremamente repudiado pelas pessoas comuns configura ao mesmo tempo dois recursos psicológicos básicos na arte de convencer. Chamar uma coisa grotesca como matar um bebê por um nome de algo menos repudiado, como um abortamento, pode ser considerado um recurso do tipo “pé-na-porta”, onde o ouvinte corre o risco de aceitar 12 escutando meia dúzia. Por outro lado, o mero fato de se discutir infanticídio como algo racional já pode induzir o efeito “porta-na-cara”, no qual um repúdio imediato pode dessensibilizar aqueles menos perceptivos e gerar uma maior aceitação de atos aparentemente menos grotescos como o de abortar um feto.
     Tudo isso ao lado de medidas governamentais - obrigando médicos a realizar o abortamento - pode levar inevitavelmente ao que se chama de dissonância cognitiva, onde há uma mudança de pensamento e de valores após realizar um ato do qual se discordava previamente, mudança esta causada pela racionalização e introjeção do comportamento realizado. O comportamento alterado pode ser simples como chamar uma coisa por outro nome, e complexo como executar um ato cirúrgico imoral.
     Resumindo: junte a Submissão à Autoridade, o Conformismo Grupal, o Pé-na-Porta, o Porta-na-Cara, a Dissonância Cognitiva, a Imposição Governamental e o reforço de tudo isso por “formadores de opinião”, e você obterá um forte elemento de guerra cultural em ação.
     Quando os autores do artigo que propunha a troca do termo "infanticídio" por "abortamento pós-nascimento" foram respondidos por centenas de protestos e mensagens de repúdio, muitas vezes com alto teor de agressividade, o estrago já estava feito. Eles, de certa forma, se desculparam dizendo que tudo não passa de um debate de ideias. Mas quantos crimes horrendos não começaram com simples debates de ideia?
     O leite está derramado e incontáveis atos de manipulação semântica chegam aos nossos ouvidos a cada dia, trocando valores, camuflando intenções e propondo novas cosmovisões. O mínimo que se pode fazer é permitir um espaço para uma verdadeira altercação intelectual, onde tais venenos sutis possam se transformar em poderosas vacinas, e onde propostas agressivas com palavras suaves possam ser respondidas de forma clara e direta.
Hélio Angotti Neto é médico oftalmologista com graduação pela Universidade Federal do Espírito Santo e residência médica e doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Coordena o curso de medicina do Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC-ES) e é o diretor da seção especializada em humanidades médicas da revista Mirabilia. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC, do Center for Bioethics and Human Dignity, da Associação Brasileira de Educação Médica. Coordena o SEFAM (Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina). 22/05/2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

MATRIMÔNIO DE ALCIOMAR & CRISTIANE

     Foi realizado hoje a noite na Matriz de São Sebastião, o Matrimônio do casal Alciomar & Cristiane. A cerimônia foi presidida por Frei Santos.
 Entrada da noiva
 Alciomar esperando a noiva

 Momento do "consentimento"

quarta-feira, 21 de maio de 2014

CAMPANHA CONTRA TRÁFICO HUMANO NA COPA DO MUNDO 2014



     

     O prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, cardeal João Braz de Aviz, apresentou no dia 20, pela manhã, no Vaticano, a Campanha contra o Tráfico de Pessoas durante a Copa do Mundo 2014, “Jogue a favor da vida – denuncie o tráfico de pessoas”.
     Segundo cardeal João Braz de Aviz, “a campanha manifesta a sintonia da vida consagrada com o sentimento do papa perante este crime que ele mesmo tem definido como ‘a chaga no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo”.
     Também participaram do lançamento internacional da Campanha a integrante da Rede Um Grito pela Vida, no Brasil, irmã Gabriella Bottani; a coordenadora da Rede Internacional da Vida Religiosa Consagrada no enfrentamento ao tráfico de pessoas‘Talitha Kum’, irmã Estrella Castalone; a presidente da União Internacional das Superioras Gerais, irmã Carmem Sammut; o embaixador dos Estados Unidos ante a Santa Sé, Kenneth Francis Hackett.
     Ao recordar as palavras do papa, irmã Gabriela disse que “não se pode permanecer indiferente, sabendo que há seres humanos tratados como uma mercadoria”. Segundo a religiosa, este crime atinge quase 21 milhões de pessoas no mundo. “Devemos arrancar com força do silêncio e do medo esta grave violação da dignidade humana”, disse.
     Irmã Carmem Sammut lembrou que este crime está presente em todas as partes do mundo. “A prevenção deste tipo de tráfico de pessoas implica a redução da demanda de serviços sexuais e para que isto suceda há que conscientizar a opinião pública”, alertou.
     No Brasil, o lançamento da Campanha ocorreu no dia 14 de maio, durante entrevista coletiva à imprensa, em Brasília. O evento reuniu representantes de igrejas cristãs, universidades e outras instituições. O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, participou do evento, e lembrou que a iniciativa está em sintonia com o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, Fraternidade e Tráfico Humano. Na ocasião, dom Leonardo disse que “o país abrirá ainda mais os olhos com o ‘gol’ que a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) está fazendo desde já, com esta Campanha, que está incidindo como Vida Religiosa lá onde as pessoas mais sofrem, de maneira discreta, mas muito eficaz e evangélica, consoladora e samaritana”.
     A campanha “Jogue a favor da vida – denuncie o tráfico de pessoas” tem motivado ações como debates, panfletagem, caminhadas, celebrações, principalmente nas cidades-sede da Copa do Mundo.
Fonte: CNBB

sábado, 17 de maio de 2014

OS DESAFIOS DA FAMÍLIA NO CONTEXTO PREPARATÓRIO DO SÍNODO DOS BISPOS



     
     O Papa Francisco convocou para outubro próximo a Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, para debater o tema "Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização". Um questionário foi encaminhado a todas as dioceses, para reunir subsídios de reflexão que possam contribuir ao discernimento dos bispos, que apresentarão uma síntese ao Papa, que poderá tomar decisões para enfrentar "as novas urgências pastorais que dizem respeito à família", conforme expressou em sua carta às famílias - http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=99234 -. Conclui a carta, rogando a oração pelo Sínodo dos Bispos, "um tesouro precioso que enriquecerá a Igreja". 
     Sim, devemos rezar, e muito. Seguindo o lema de São Bento: "Ora et Labora". E mais, conforme pediu o próprio Jesus: "Orai e vigiai!" Os tempos atuais, na vida da Igreja, requerem oração e vigilância.
     Lembro-me da primeira votação que acompanhei do Projeto de Lei que visava legalizar o aborto no Brasil, em 7 de dezembro de 2005, na Comissão de Seguridade Social e Família, na Câmara dos Deputados, ocasião em que compareceu no plenário 7, o amigo Dom Geraldo Majella Agnelo, então presidente da CNBB. Em meio a votação, que por um voto apenas, rechaçou o PL 1135/91, um dos membros da Pastoral Familiar chegou-me a dizer que não conseguia entender o que estava acontecendo, de como a Igreja parecia ter sido enredada numa areia-movediça cultural, e que cada vez mais se via dando braçadas contra a corrente dominante, de uma cultura anticristã, mas que agia contra a Igreja, de modo sutil e sofisticado. Já naquele instante, ele me dissera perceber que a pressão era muito forte, que os meios de comunicação disseminavam, em novelas, filmes, programas de auditório, seriados etc., toda uma mentalidade corrosiva, agindo contra a moral católica, a moral familiar, a lei natural, e que ia acuando cada vez mais os religiosos e leigos atuantes na Igreja, mesmo na Pastoral Familiar das paróquias e dioceses, dando a impressão de que era preciso ceder, de que o mundo mudou mesmo, de que a realidade era outra e de que a maioria já não aceitava mais as restrições morais no campo familiar. 
     Naquela votação de 2005, em meio ao movimento de gente entrando e saindo do plenário 7, ele me disse: "estamos cada vez mais sem saber o que fazer". E ainda: "há muito que a Igreja perdera seu protagonismo no campo legislativo, desde a aprovação do divórcio. Hoje é o aborto, amanhã o homossexualismo, depois a eutanásia. Já não sabemos como enfrentar tudo isso". E então, posteriormente, relendo com mais atenção a Evangelium Vitae, e os demais documentos pontifícios sobre a questão da família, e ainda Jacques Leclerc, Michel Schooyans e outros autores, fui percebendo de que se tratava mesmo de um combate: o combate pela vida e pela família. E mais: não estávamos preparados para tal combate; pois os inimigos assumiram postos, se infiltraram, foram tomando posições diretivas, até mesmo dentro da Igreja. Muitos preferiram então abraçar o relativismo. Como fazer para dar conta dos inúmeros problemas, de várias situações de impasse, dos incômodos que se agudizaram decorrentes da mais grave crise sofrida pela instituição familiar, desde as primeiras civilizações da Antiguidade, há dez mil anos, quando ela se consolidou como a primeira e principal das instituições humanas? A tentação do relativismo falou mais forte. Para muitos, era preciso flexibilizar a moral, fazer justamente aquilo que os adversários da Igreja queriam, desde o início do combate: extenuá-la até forçá-la a aceitar a capitulação. "Não sabemos o que fazer, mas a crise é grave, gravíssima", reconheceu o membro da pastoral familiar. E concluiu dizendo: "Temo que se aceitem as falsas soluções, as medidas mais fáceis, que em vez de proteger a família dos ataques intensos, irão fragilizá-la ainda mais, senão derruí-la de vez."
     Passei o ano inteiro de 2006 lendo e estudando a problemática do aborto, procurando saber de onde estariam vindo os ataques contra a família. Não foi muito difícil ter acesso a vasta documentação existente, de estudiosos sérios e pensadores bem informados, quase todos conscientes de que se trata de um movimento de desestabilização social e revolução cultural, que mirou seus dardos contra a família e contra a Igreja Católica (a que mais defendeu a família ao longo da História). O fato é que tal movimento não emergiu espontaneamente, mas foi gestado e impulsionado por poderosas forças econômicas e políticas, que passaram a financiar a cultura anti-família e anti-vida. Já no começo do século XX e, principalmente, depois da Segunda Guerra Mundial, tais grupos de poder (de modo especial as Fundações internacionais, como a Rockefeller e a Ford) passaram a atuar e a protagonizar o ataque contra a família e a moral católica, de modo sistemático e gradual, com tática gramsciana, agindo por dentro da instituições, dos governos, e da própria Igreja, financiando inclusive a dissenção dentro da Igreja, lançando no seio da Igreja e em outras instituições sociais, os venenos de efeitos subterrâneos, com fins de se atingir as raízes que por durante milênios fizeram da família a mais sólida de todas as instituições. 
     Charles R. Morris, em seu livro "Os Magnatas" (LP&M Editores, 2006), falando de Andrew Carnegie, John D. Rockefeller, Jay Gould e J. P. Morgan, descreve o modo amoral como esses homens acumularam fortuna financeira. "Nenhum deles era modelo de conduta". Rockefeller, por exemplo, "era frio e cerebral", todos com "manobras estratégicas", experts na especulação, no marketing e no embuste. Ficaram notórios pelas "fraudes extravagantes" e reputações arrasadas. Mas o que importa, se havia a obsessão pela prosperidade, e ficaram bilionários? Forjadores de crises para sair delas mais ricos ainda, deixando tudo e todos atônitos a sua volta. Não havia adversário que não fosse reduzido a pó, por eles. E desde o início, quando já eram "donos do mundo" e passaram a impor suas preferências e moldar a cultura dos demais povos, a Igreja Católica foi vista como a adversária das adversárias, e tudo foi feito para miná-la, em todos os aspectos, e mesmo quando acharam que já haviam dado o golpe fatal, julgando que tinham liquidado com ela, de vez, houve quem ainda reclamasse tratar-se de um cadáver difícil de enterrar. A pedra de Sísifo voltava a rolar. O organismo reagia e tudo começava de novo.   
     Os alvos contra a Igreja prosseguiram. A moral católica era o grande obstáculo a ser vencido para as fundações avançarem em seu projeto totalitário de poder global. "Os inimigos que enfrentamos são muito poderosos (...) O projeto de domínio global precisa ser feito com as mentes e consciências daqueles que pretende subjugar", ressalta monsenhor Juan Cláudio Sanahuja, membro da Pontifícia Academia para a Vida. Quando os inimigos da Igreja viram que não era possível destruí-la por inteiro, então descobriram que era possível desfigurá-la, descaracterizá-la, destituí-la, por dentro, despojá-la de sua identidade. Que fique a casca, a aparência, mas o conteúdo precisaria ser sugado e eliminado. E esse trabalho de desmonte por dentro, começou de modo mais acentuado, quando John Rockefeller III esgotou seus esforços em fazer convencer o papa Paulo VI em flexibilizar a moral familiar católica na encíclica Humanae Vitae, publicada em 1968. Rockefeller III esteve pessoalmente em audiência com Paulo VI e arguiu que o mundo mudou, não dá mais, a realidade hoje é outra; querendo que Paulo VI flexibilizasse a moral sexual católica, para justificar assim o controle populacional, recorrendo ao aborto, se preciso, como método mais eficaz, como desejava Margaret Sanger. Rockefeller III saiu da audiência com Paulo VI convencido de que ele havia entendido de que era preciso mudar, flexibilizar. Mas, para estupor de todos, Paulo VI não flexibilizou e manteve a moral familiar de acordo com a lei natural, defendida pela Igreja, há dois milênios. Rockefeller percebeu então que tinha de mudar de estratégia: passou a financiar a revolução cultural. Teria paciência para isso, trinta, quarenta anos, não importa. Mas atacaria a família e a moral católica de outros modos, até a Igreja, acuada e extenuada, ter que flexibilizar, a pedido dos próprios fiéis católicos. Numa entrevista, Francis Kislling, a fundadora das "Católicas pelos Direito de Decidir" (financiada por tais grupos) assim afirmou:

"O direito ao aborto somente será definitiva e irreversivelmente estabelecido entre as mulheres quando, no dizer das Católicas, mais do que a legislação, puder ser derrubada a própria moralidade do aborto, e nisto a Igreja Católica não passa apenas de um alvo instrumental. A moral católica é a mais desenvolvida. Se você puder derrubá-la, derrubará por consequência todas as outras".

     Essa foi a estratégia adotada: as Fundações desestabilizariam a sociedade a tal ponto, até que a maioria dos fiéis exigissem do papa a flexibilização. "Não foi, tudo isso, um movimento espontâneo - como me dissera o membro da Pastoral Familiar - mas forças econômicas e políticas poderosas agiram para isso".  
   Da audiência de Rockefeller III com Paulo VI, os ataques contra a família e a Igreja se tornaram cada vez mais intensos e sistêmicos. Rockefeller III foi convencido por Adrienne Germain de que era preciso mudar de estratégia. Então, em 1974 (no mesmo ano do Relatório Kissinger), Rockefeller III decidiu investir na revolução cultural, financiando o movimento homossexual e o feminismo radical. Em 1978, Rockefeller III morreu num acidente de carro, mas havia começado a acionar o processo da revolução cultural, hoje bem avançado. Vieram logo em seguida outros investimentos nesse sentido, como "a subversão silenciosa para concretizar o projeto de poder global" - como conta Sanahuja - "impondo alguns novos paradigmas éticos". Com isso, "erigiu o sentimento da maioria das pessoas como base de toda decisão moral e legal". A lei natural - onde se alicerça a família - passou a ser substituída pelo "utilitarismo sentimental da maioria", explica Sanahuja. E acrescenta descrevendo "o novo paradigma de família", denunciando a ideologia de gênero, imposta por tais grupos de poder, como "um conceito-chave da reengenharia social anticristã para subverter o conceito de família", impondo-nos "uma visão anti-natural da sexualidade auto-construída, a serviço do prazer". Tudo isso visando (afirma Dale O'Leary):

"1) menos pessoas, 2) mais prazer sexual; 3) eliminação das diferenças entre homens e mulheres; 4) que não existam mães em tempo integral", e que, com essa lógica da cultura da morte, a "receita para a salvação do mundo é: 1)anticoncepcionais grátis e aborto legal; 2) promoção da homossexualidade (sexo sem bebês); 3) curso de educação sexual para promover a experiência sexual entre as crianças e ensiná-las como obter contraceptivos e abortos, que a homossexualidade é normal e que homens e mulheres são a mesma coisa; 4) eliminação dos direitos dos pais, de forma de que estes não possam impedir as crianças de fazer sexo, educação sexual, anticoncepcionais e abortos; 5) cotas iguais para homens e mulheres; 6) todas as mulheres na força de trabalho; 7) desacreditar todas as religiões que se oponham a esta agenda".

     Trata-se, como destaca o amigo Jorge Scala, "de uma nova antropologia, que deveria iniciar uma nova cultura. No entanto, essa doutrina, por sua falta de correspondência coma  realidade, somente pode ser imposta ideologicamente, isto é, restringindo a liberdade das pessoas mediante uma articulada manipulação semântica, através dos meios formais e informais da educação".
     Com tudo isso, sabemos que, quarenta anos depois de Paulo VI ter decepcionado Rockefeller III, o desafio dos bispos no Sínodo de outubro, que terá como tema central a questão da família. Que respostas darão agora? Fidelidade ao Magistério da Igreja, ou cederão às pressões por flexibilização? Por isso, podemos dizer que depois de tantos ataques sem trégua, e com todo o aparato tecnológico dos mass media, requer que intensifiquemos a oração e a vigilância, no aguardo das respostas que o Sínodo deverão oferecer ao papa. Sabemos que mais uma vez urge a coragem dos sucessores dos apóstolos em serem fiéis à sã doutrina, pois a família, primeira e principal de todas as instituições humanas, está hoje sob o fio da navalha.

Hermes Rodrigues Nery
é especialista em Bioética, pela PUC-RJ.