O relator do
projeto de lei que cria o Estatuto da Família, deputado federal Diego Garcia
(PHS-PR), apresentou nesta quarta-feira (2) o parecer no qual define a família
como a união entre homem e mulher por meio de casamento ou união estável, ou o
núcleo formado por um dos pais mais os filhos. Ao concluir a leitura do
relatório, o parlamentar do PHS foi aplaudido na comissão especial que discute
o tema, composta majoritariamente por integrantes da bancada evangélica.
O projeto trata dos direitos da família e
das diretrizes das políticas públicas voltadas para atender a entidade familiar
em áreas, como saúde, segurança e educação.
Sem a presença de representantes de
entidades ligadas aos movimentos LGBT, a sessão desta quarta da comissão
especial foi destinada apenas à leitura do relatório, não tendo ocorrido
debates entre os parlamentares. Agora que o parecer foi apresentado, os
deputados terão até cinco sessões para sugerirem emendas, que poderão ou não
ser incluídas por Garcia no seu relatório final.
De autoria do deputado Anderson Ferreira
(PR-PE), a proposta do Estatuto da Família tramita na Casa desde 2013. Neste
ano, o presidente da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), criou uma comissão especial para discutir o assunto.
No texto lido nesta quarta, Garcia afirma
que o projeto cumpre o que ele chama de “inglória missão de evidenciar o óbvio”
e diz que o Judiciário errou ao reconhecer a união estável entre pessoas do
mesmo sexo. Ele argumentou que seu relatório se baseia na definição da
Constituição sobre família, que, para efeito da proteção do Estado, reconhece a
entidade familiar como a união estável entre um homem e uma mulher.
Para contemplar as uniões homoafetivas,
Diego Garcia propôs a criação de uma nova denominação, a “parceria vital”, para
reconhecer o que ele chama de "enlace entre duas pessoas". Segundo
ele, essa parceria não teria conexão com a procriação ou a constituição de uma
família, mas serviria para a garantia de benefícios previdenciários.
O relator nega, contudo, que o projeto irá
reforçar o preconceito na sociedade. “O
projeto de lei não exclui ninguém, ele valoriza a família, base da sociedade, e
cria algo inovador, porque, desde 1988, o Congresso Nacional vinha se calando,
se omitindo a respeito da família. E hoje estamos dando um grande avanço com
essa discussão”, disse Garcia ao final da sessão.
Questionado sobre se a aprovação do
projeto derrubaria a decisão de 2011 do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu
a união estável entre homossexuais, o relator disse que a proposta ainda
tem um longo caminho pela frente no Congresso até virar lei.
Ele defendeu, porém, a necessidade de o
Legislativo se manifestar sobre o tema. “Eu não sei dizer se derrubaria [a
decisão do Supremo], mas traz uma inovação e traz uma posição do parlamento a
respeito dessa matéria”, enfatizou.
'Retrocesso'
Ao final da sessão desta quarta da comissão especial, a deputada Érika Kokay (PT-DF) classificou a proposta de Diego Garcia de “retrocesso”. Ligada aos movimentos sociais de direitos humanos, a parlamentar petista acusou o relatório de reafirmar uma “lógica homofóbica e de exclusão”.
Ao final da sessão desta quarta da comissão especial, a deputada Érika Kokay (PT-DF) classificou a proposta de Diego Garcia de “retrocesso”. Ligada aos movimentos sociais de direitos humanos, a parlamentar petista acusou o relatório de reafirmar uma “lógica homofóbica e de exclusão”.
Na opinião de Érika Kokay, o preconceito
perpassa todo o relatório e, dificilmente, poderá ser corrigido com sugestões
de alteração. Ela advertiu que deve apresentar um voto em separado.
“Vamos utilizar todos os instrumentos
legislativos possíveis para que possamos impedir a institucionalização da
homofobia através deste projeto e o retrocesso em direitos de vários segmentos
da sociedade”, ressaltou a petista.
A deputada também chamou o relatório de
Diego Garcia de “absurdo”. Ela citou Nelson Rodrigues para criticar o texto do
colega do PHS.
“Não dá para menosprezar o absurdo. Muitas
vezes, o absurdo é tão nítido, é tão concreto, que a tendência é que você possa
menosprezá-lo. Não dá para menosprezar o absurdo porque o absurdo, tem razão
Nelson Rodrigues, está literalmente perdendo a modéstia. Este parecer é uma
prova inconteste disso”, disse.
Embora a proposta tramite em caráter
conclusivo na comissão, a petista informou que, caso seja aprovada, ela
apresentará recurso para que seja analisada pelo plenário.
Fernanda Calgaro Do G1, em Brasília - 02/09/2015
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